Murmúrio.
sssshhhhhhh... não quero que me oiças, nem tão pouco que percebas que isto é a carta que nunca te escrevi...
não porque me faltaram as palavras, mas porque eram demasiado pesadas para o significado leve e ténue que eu desenhava em cada letra... tentei o discurso doce e delicado, com palavras cuidadosamente sussurradas, mas não.. não era aquilo que eu te queria dizer... e também não era aquilo que eu queria que ouvisses...
'deixa as palavras morrerem.. no final, vais ver que nunca viveram no mundo que querias, da forma que querias e para quem querias'... ainda oiço esta voz vinda não sei bem de onde, mas não lhe obedeço... não quero, não posso e não o vou fazer... posso até mais tarde arrepender-me, mas sei que agora é melhor assim... mantenho vivas as palavras que chegam até ti, na esperança que elas voltem com um eco pelo menos do mesmo tom... muitas foram e perderam-se no caminho de regresso, muitas outras nunca chegaram a ir, mas outras ainda houve que vieram mesmo sem terem ido... e são essas que calam a tal voz num instante estridente que cai oco num buraco sem fundo... ainda assim, de vez em quando, ela consegue chegar até mim e aterrorizar-me com as certezas que eu também tenho mas que tento esquecer...
espero que um dia possas ler tudo isto e sentir que não fui embora porque acreditei em ti...
e como acredito...
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